Conversar sobre futebol com os amigos, tomando uma cerveja é algo que os homens das cavernas já faziam. É um ritual que se estende sem interrupções. Tal ato não tem como sofrer interferência de globalização ou tecnologia. Nem é algo que vai acabar. Acredite, se você carrega um pingo de amor ao futebol, seu filho seguirá esses passos. Com o perdão do chavão, sentar em um bar e discutir o futebol é uma tabelinha tão perfeita quanto as produzidas por Pelé e Coutinho.
É exatamente por conseguir transpor esse clima para as telas que Ugo Giorgetti acertou em cheio quando fez Boleiros – Era uma vez o futebol (1998). Conseguiu reunir alguns desses prazeres tão peculiares do homem em uma película com pouco mais de duas horas.
Ficticiamente ele cria ex-jogadores, árbitros, jornalistas, anônimos que discutem as suas vidas e contam histórias do mundo da bola. Muitas das histórias fazem referências a episódios clássicos e comuns do futebol brasileiro (o craque do passado que hoje vive na dureza, a compra do árbitro corrupto, promessas sendo vendidas para a Europa por empresários gananciosos). Não deixa de ter uma pontinha de crítica ao órgão principal que comanda o futebol brasileiro.
No elenco, quem brilha são os veteranos da TV brasileira: Flavio Migliaccio encarna o ex-jogador do Corinthians, que vive à sombra do passado, Rogério Cardoso e Otavio Augusto interpretam árbitros, o segundo, o corrupto de uma partida do Juventus e Lima Duarte é o técnico do Palmeiras, com requintes de Felipão.
Boleiros, talvez, seja um dos filmes brasileiros mais simpáticos de todos os tempos e um dos melhores sobre futebol. Comparando com um grande time de futebol, Boleiros não carrega nenhuma estrela em seu elenco. Não há corpo mole e nem jogadores no departamento médico, mesmo tendo na equipe jogadores já sexagenários. Boleiros é um time de coadjuvantes bem entrosados, prontos para “entrarem em campo em busca da vitória”, a pedidos do professor Giorgetti.
Segue abaixo um trecho do filme